quarta-feira, 31 de maio de 2017


REDEMUNHO

 
(POESIA EM FORMA DE TEATRO.

OU

AMOR + GARRA + COMPETÊNCIA =

TEATRO DA MELHOR QUALIDADE.)




 
 
 
 
 
           POR ALGUM MOTIVO, DESSES RELACIONADOS À INFORMÁTICA E QUE A GENTE (EU, PELO MENOS) NÃO CONSEGUE EXPLICAR, PUBLIQUEI, NO BLOGUE, NA SEGUNDA QUINZANA DE MARÇO DESTE ANO (2017), UMA CRÍTICA SOBRE O EXCELENTE ESPETÁCULO "REDEMUNHO", UM DOS DEZ MELHORES DESTE ANO, ATÉ O PRESENTE MOMENTO, CRÍTICA ESTA QUE "DESAPARECEU" DO BLOGUE.
 
           EM RESPEITO E CONSIDERAÇÃO A TODOS OS ENVOLVIDOS NO MAGNÍFICO E CORAJOSO PROJETO, ALERTADO QUE FUI, PELO MEU AMIGO ALEXANDRE DANTAS, ATOR NO ESPETÁCULO, CONSTATEI O "PROBLEMA" E, AQUI, ESTOU REPUBLICANDO A CRÍTICA, QUE ESPERO PODER LEVAR PÚBLICO A UMA NOVA TEMPORADA, PELA QUAL TORÇO BASTANTE.
 
 
         



 
Como é GRATIFICANTE ir a um Teatro, para ver TEATRO DE VERDADE!
 
TEATRO feito com amor, garra, dedicação e ajuda de amigos, sem patrocínios ou benesses de qualquer tipo, a não ser a já dita ajuda de amigos.
 
Um espetáculo belíssimo, de uma delicadeza, sensibilidade, competência...
 
Um texto magnífico, de RONALDO CORREIA DE BRITO.
 
Direção impecável, de ANDERSON ARAGÓN.
 
Um trio de excelentes atores: ALEXANDRE DANTAS, ANA CARBATTI e CLAUDIA VENTURA, cada um em seu melhor momento no palco; isso é dito por quem acompanha, há muito, o trabalho deles, ou seja, EU.
 
Um trabalho SEM QUALQUER DEFEITO (já nem vou gastar mais adjetivos; tudo é superlativo nesta montagem): ALFREDO DEL-PENHO (direção musical); SUELI GUERRA (direção de movimento - acho que a melhor dela, que já vi); DÓRIS ROLLEMBERG (cenário); FLÁVIO SOUZA (figurinos); ANDERSON RATTO (desenho de luz - a melhor luz que vi este ano, até agora)...
 
A temporada é muito curta. NÃO PERCAM POR NADA!!!
 
Saí do Teatro Rogério Cardoso (Casa de Cultura Laura Alvim), muito feliz e emocionado.
 



 


 
            Se existisse “sinopse de crítica teatral”, o texto acima, que foi postado por mim, tão logo cheguei a casa, em total estado de graça, após ter assistido ao espetáculo “REDEMUNHO”, seria uma. Praticamente, não há mais nada a dizer, mas vou me estender e ele será o embrião desta crítica.

            REDEMUNHO = “Gíria tradicional do orador de Minas Gerais, que pretendia dizer ‘redemoinho’ ou ‘rodamoinho’”.

            O título da peça pode parecer “estranho”, mas tem tudo a ver com ela. Desde que inicia, o texto nos envolve num rodopiar de emoções sucessivas e surpreendestes. Ele é a transposição, para o palco, de quatro contos do premiado escritor cearense RONALDO CORREIA DE BRITO, publicados em seu livro “Faca”, de 2003.

De acordo com o “release” da peça, enviado por JSPONTES COMUNICAÇÃO (JOÃO e STELLA), “Através de suas ‘memórias inventadas’, como o autor se refere às suas narrativas, o leitor – e agora o espectador - é transportado para as ruínas de um Sertão Nordestino mítico, que já não existe mais”.

            É inacreditável como um escritor do talento de CORREIA DE BRITO não seja tão conhecido e lido no Brasil, ainda que já tenha conseguido espaço no exterior, além de tantos prêmios! Coisas do Brasil!

Para compor o espetáculo, foram selecionados quatro dos contos do livro “Faca”: A Escolha”, “Redemunho”, “Cícera Candoia” e “Mentira de Amor”.

Ainda extraído do “release”: “(...) emergem relatos de origens arcaicas e personagens trágicos, os quais convidam a investigar aqueles segredos próprios do ser humano, de qualquer época ou lugar. Visitada pela literatura regionalista, esta terra remota e desconhecida ganha uma dimensão mítica, transformando-se no território dos terrores mais íntimos e antigos do Homem, quando o regional dá lugar ao universal.

Em sua versão teatral, os contos receberam tratamento contemporâneo, por meio da linguagem narrativa em cena. Sem fazer uso de qualquer artifício, que pretenda transpor para discurso direto a joia narrativa dos contos, o que o público ouvirá são as palavras escolhidas, uma a uma, pelo autor...”.



  



 
SINOPSE:
 
Em um tempo arcaico, quase mitológico, quatro histórias se tocam no centro de um redemoinho de fatalidades. As histórias desenham destinos que não podem ser evitados, colocando suas personagens centrais no momento inexorável de sua caminhada em direção ao trágico.
 
 
OS CONTOS:
   
"REDEMUNHO" reúne mãe e filho, dois últimos remanescentes da, outrora, nobre família Cavalcante de Albuquerque. Em total decadência, vivem apegados a valsas, árvores genealógicas e um piano centenário, mas acabam sendo levados a desenterrar uma antiga e dolorosa rixa do passado.
 
Em "CÍCERA CANDOIA", CIÇA se vê aprisionada aos cuidados de uma mãe entrevada, enquanto todos estão partindo, em fuga da seca. Ambas se sentem despertencidas” da vila em que vivem, por conta de uma peleja familiar, que culminou na morte do pai, e observam a terra secar de gente. Agora, CIÇA tem que decidir pela sua vida ou pela morte das duas.
 
"MENTIRA DE AMOR" relata o cotidiano de uma mulher, aprisionada pelo próprio marido e afogada na culpa pela morte de sua filha mais nova. Vive num mundo imaginário, criado a partir dos ruídos que escuta, vindos da rua. Um dia, chega à cidade um circo, que, aos poucos, desperta nela emoções e desejos nunca vividos. Ela entende que é chegada a hora de cumprir seu destino e romper esse silêncio de anos em sua vida.
   
"A ESCOLHA" conta a história de ALDENORA e LIVINO, casados e assombrados pelo fantasma do primeiro casamento dela com LUIZ SILIBRINO, o qual retorna, depois de dezoito anos. ALDENORA, agora, deve escolher entre a gratidão e a paixão.
 



 




FICHA TÉCNICA:
 
Texto: Ronaldo Correia de Brito
Direção: Anderson Aragon
 
Elenco: Alexandre Dantas, Ana Carbatti e Claudia Ventura
 
Direção Musical: Alfredo Del-Penho
Direção de Movimento: Sueli Guerra
Cenografia: Doris Rollemberg
Figurinos: Flávio Souza
“Design” de Luz: Anderson Ratto
Fotos: Silvana Marques
Programação Visual: Humberto Costa – Mais Programação Visual
Produção Executiva: Christina Carvalho
Direção de Produção: Ana Carbatti Produções e Artes e CiaFaláCia Produções
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
 
 


 
 



 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 10 de março até 02 de abril de 2017.
Local: Teatro Rogério Cardoso (Casa de Cultura Laura Alvim).  
Endereço: Avenida Vieira Souto, 176 – Ipanema – Rio de Janeiro.
Telefone: (21) 2332-2015.
Dias e Horários: 6ª feira e sábado, às 20h; domingo, às 19h.
Duração:  80 minutos.
Valor dos Ingressos: R$40,00 e R$20,00 (meia entrada).
Capacidade: 40 espectadores.
Gênero: Drama.
Classificação Indicativa: 16 anos
 


 


 
            Embora eu não conheça os contos na íntegra, mas já esteja à cata do livro, sei que eles foram transpostos para o palco, praticamente, na íntegra, com o objetivo de interferir o  mínimo possível na beleza e contundência dos textos de CORREIA DE BRITO. Todas as rubricas e descrições das cenas são ditas por quem interpreta o/a personagem em questão. 

            Fiquei, profundamente, encantado com o estilo do autor (seu vocabulário, sua sintaxe, suas construções frasais, suas histórias) o que me permite, sem nenhum exagero, guardadas as devidas proporções, sentir, no ar, um perfume de Guimarães Rosa, um aroma dos cordelistas e de outros consagrados autores brasileiros, que põem, em suas frases, o olor da terra molhada do sertão, quando a chuva dá o ar de sua graça, e o cheiro de mato.

            O lirismo, quando necessário, cede espaço aos espinhos de algumas palavras que ferem, tudo a tempo e hora, num equilíbrio que nos conduz no rodopio proposto. O texto é belíssimo!!!

            Trata-se de um espetáculo bem intimista, minimalista até, o que justifica o fato de ter sido montado para pequenas plateias e em formato de arena, sendo que, quando não estão atuando – e até, mesmo, em atuação – os atores permanecem sentados, no meio do público, criando uma intimidade e cumplicidade, que facilitam a troca de emoções. Acertou na mosca a direção, não só por isso, mas, também, por todo o conjunto da obra, com destaque para duas, dentre tantas, cenas, quais sejam a do banho de chuva, em forma de arroz, que o personagem de ALEXANDRE DANTAS toma, e toda a longa cena, de CLAUDIA VENTURA, no monólogo relativo ao circo.




 

            O elenco demonstra ter mergulhado, profundamente, no universo do interior e nas referências da obra do autor. Cada um tem seus momentos de solo e, quando atuam em dupla ou trio, um enriquece o trabalho do outro; há uma grande troca de energia e de talento. Que belo trio de atores!!!

            Como se trata de um espetáculo “franciscano”, tudo teve de ser feito com uma verba curtíssima, e a solução, para se chegar a um espetáculo de tamanha qualidade, foi contar com a colaboração de alguns de nossos melhores profissionais de TEATRO e sua criatividade. Isso está presente no lindo e simples cenário, de DÓRIS ROLLEMBERG e nos singelos figurinos, de FLÁVIO SOUZA.

            A luz, de ANDERSON RATTO é, disparadamente, a melhor que vi este ano e das mais bonitas e bem feitas, nos últimos tempos, assim como é de emocionar o belíssimo trabalho de direção de movimento de SUELI GUERRA, talvez, como já afirmei, o melhor de sua carreira.

ALFREDO DEL-PENHO assina uma ótima direção musical, tendo preparado uma sugestiva e adequada trilha sonora.

            Se você está procurando uma sugestão de uma boa peça, daquelas que nos marcam, não deixe de assistir a “REDEMUNHO”. Tenho a certeza de que vai me agradecer pela sugestão.

 

 



(FOTOS: SILVANA MARQUES.)
 




 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

  

 

 

A PRODUTORA
E

A GAIVOTA


(UMA DELÍCA DE COMÉDIA, VALORIZADA POR UM
TALENTOSO ATOR.)



 



            Já vou logo perguntando e respondendo (direto, como a personagem): é uma boa comédia o que você procura, reunindo bom texto, boa direção e uma excelente interpretação? Uma comédia, em forma de monólogo, completamente diferente do que você está acostumado a ver?
            Então, cesse a procura e escolha um dos últimos seis dias da temporada, os dois próximos sábados, domingos e 2ªas feiras (3, 4, 5, 10, 11 E 12 de junho), vá ao Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, e se prepare para rir muito, com JEFFERSON SCHROEDER, na pele de uma produtora de TEATRO, às voltas com um grave problema, antes da apresentação da peça que ela “produz” (as aspas dizem tudo; os leitores vão entender), que seria um clássico da dramaturgia universal, a famosa peça “A GAIVOTA”, do grande dramaturgo russo ANTON TCHEKHOV, a quem a tal “produtora”, MEIRE SABATINE, insiste em chamar de “Antônio”.
            O texto é o primeiro trabalho dramatúrgico de JEFFERSON, que estreia, no ofício, com o pé direito, tendo, inteligentemente, convidado JOÃO FONSECA, para dirigi-lo. 
 
 

Que JEFFERSON é um ótimo ator, todos os que vão ao TEATRO com frequência já o sabem, pelos tantos trabalhos excelentes que já realizou, no palco, principalmente como membro da “Cia. OmondÉ de TEATRO”, sob a batuta de Inez Viana. A grande surpresa está no autor, principalmente por ser seu texto de estreia, como dramaturgo.
            O texto é de um humor leve e bastante cáustico, ao mesmo tempo, bem temperado, com direito a críticas rasgadas ao próprio TEATRO. O autor mira sua metralhadora mordaz na direção de um conhecido crítico teatral, do próprio diretor da peça, do elenco de atores fracassados e de péssima qualidade, dos técnicos incompetentes... Tudo no julgamento da “produtora”. Ninguém escapa à língua ferina e à extrapolada “sinceridade” de MEIRE.
            Praticamente, o espectador vai rir muito, desde a primeira aparição da personagem até o “black-out” final, que, segundo MEIRE, é o melhor momento da peça, comparável ao intervalo, que é muito providencial (e que não há nesta peça), para que o público que não esteja gostando do espetáculo não assista a ele até o final e possa livrar-se de um “suplício”.
            Embora as matérias publicadas para a divulgação da peça digam que o texto é “baseado” em “A GAIOVOTA”, não é bem assim. Na impossibilidade da apresentação da peça, para um público que lota o teatro, por um problema que já ficará claro, adiante, quando eu falar na sinopse, MEIRE tem a (in)feliz ideia de “entreter o público”, contando, à sua maneira, a história, enquanto o elenco não chega. E ela o faz de uma maneira hilária, descontraída, com a pretensão de ser didática, intercalando a narrativa com ligações telefônicas ao diretor da peça e para falar de seu conturbado relacionamento com a filha, MICHELLE (MICHA), que resolveu sair de casa, por total incompatibilidade de gênios com a mãe, para assumir um relacionamento homoafetivo com a amiga LÚCIA. Esse fato, que poderia ser encarado como algo, se não natural, pelo menos, comum, também se torna motivo para o humor ferino da protagonista.
            No original, “A GAIVOTA” foi concebida como “comédia”, pelo próprio autor, ainda que, na forma, se trate, na verdade, de um drama. Foi escrita em quatro atos, resumidos, por MEIRE, a uma sequência única, de 70 minutos, sem intervalos; os atos ela vai anunciando, à medida que se desenvolve o enredo.




 
SINOPSE:
 
Na peça, JEFFERSON SCHROEDER interpreta MEIRE SABATINE, uma produtora de teatro “picareta” e divertidíssima, que conta, sozinha, a história de “A GAIVOTA”, de ANTON TCHEKHOV, fazendo todos os personagens.
 
E por que isso acontece? É que o elenco, acompanhado do diretor da peça, havia ido fazer uma apresentação do espetáculo numa lona cultural, num subúrbio distante, tendo, na volta, enfrentado um engarrafamento, na Avenida Brasil, do qual não conseguiam sair, deixando o público à espera deles, para a sessão daquela noite, num teatro.
 
Durante a peça, o público vai descobrindo que a “produtora” MEIRE, que não gosta de TEATRO, é “contaminada” e muda de opinião sobre a arte, por conta do desenrolar da história de TCHEKHOV, conseguindo, com isso, resolver problemas pessoais com a filha.
 
O objetivo do monólogo é passar, para o público, de forma humorada e criativa, a essência da obra “A GAIVOTA”, destacando a importância da arte e da cultura para uma sociedade que necessita de desenvolvimento.
 



 

            Uma cadeira fica vazia, na plateia, com a placa de “RESERVADO”, “ad aeternum”, aguardando um crítico teatral (e MEIRE lhe dá nome), que nunca vai, mas que também “não faz falta nenhuma, porque ninguém consegue entender o que ele escreve”. Essa cadeira vazia significa um prejuízo diário, segundo ela, já que o lugar deixa de ser vendido. Só esse momento já rende boas gargalhadas, de tão bem explorado que é.
A produtora não poupa críticas às lonas culturais, que ela chama de “tendas de favelas”, para um público “ignorante”, despreparado para assistir a TEATRO, o que a faz não se importar com o fato de o grupo se apresentar lá apenas com os figurinos, sem o cenário, o qual, segundo ela, é tão ruim, que também não faz falta alguma.
Critica o técnico de som, que não sabe o “be-a-bá” da sonoplastia: “o ator parou de falar, aumenta o som; começou, diminui”. E tome de bronca no profissional!
Pergunta, à plateia, quem conhece a peça “A GAIVOTA”. Sempre há alguém, uma pessoa, pelo menos, para responder afirmativamente. Essa é a deixa para que MEIRE se interesse pela opinião do espectador, se gosta da peça, aguardando-se que a resposta seja positiva, é claro, já que se trata de um clássico do TEATRO universal.
Não para MEIRE, que desqualifica a peça, arrasa com o texto, chamando-o de “chato” e “difícil”. “Eu acho essa peça chatíssima. Dificílima de entender. Nós tivemos que fazer várias leituras, pra entender. Fizemos leituras dramatizadas. Sabem o que é leitura dramatizada?
Propõe-se, então, a “explicar” aos “leigos” da plateia o que seja uma “leitura dramatizada”. Outro momento de extremo humor. “Ler, a peça. Mas essa peça, realmente, precisa de um estudo, porque não é fácil de entender. São uns nomes muito difíceis, que mudam do nada. Uns apelidos malucos, que não têm nada a ver com os nomes dos personagens, você fica pensando – está falando de quem agora?”.
 
 
            Em sua conversa com a plateia, MEIRE não deixa de abordar a eterna crise do fazer teatral e, ao pedir que um espectador do sexo masculino a ajude a montar um quadro, que vai auxiliá-la a “contar a história”, por meio de nomes e desenhos, pergunta à pessoa: “Você é ator? Porque, quando uma pessoa não sabe fazer uma coisa simples, ela é boa pra ser ator”. “Essa peça fala, basicamente, sobre TEATRO. Não é a toa que todos os personagens têm depressão, vivem reclamando da vida”. Brinca com a própria profissão.

 
            No contar a trama, ela vai trocando os nomes dos personagens por outros que possam parecer mais “fáceis de serem assimilados”. Uma das personagens femininas, NINA, por exemplo, é trocada pelo nome de uma famosa atriz de TV. E assim por diante...
            Sobre uma das atrizes da companhia: “A SALETE, que faz a NINA, ela... Não é... Atriz. Não nasceu pra coisa. Tem uma voz aguda. Ela é tão ruim que chega a ser boa.”. Aliás, para simplificar, todos do elenco são criticados por ela.
            E quando ela resolve revelar ao público “segredinhos de produção”? É um dos momentos mais engraçados da peça, quando ela dá nome a alguns famosos produtores de TEATRO e narra o que acontece durante as reuniões mensais do grupo, uma espécie de associação de produtores, não nos poupando de explicar sua infalível Regra do 1, enquanto uma colega, produtora, apresenta uma técnica, sua estratégia, para fazer com que os atores atuem de graça. Ri "indecentemente".

 



            Também não economiza crítica aos governantes: “TEATRO, eles piram numas coisas. TEATRO é uma coisa...chata. Não é a toa que TEATRO está sempre vazio. É uma coisa inútil. Você não vive sem um hospital, uma escola, um restaurante. Mas sem o TEATRO você vive. Eu sei disso há muito tempo. O governo é que agora que foi descobrir isso. E eu sei do que eu estou falando. Que eu estou enfiada de TEATRO até a cabeça”.
            No corpo do texto da peça, ao qual tive acesso, JEFFERSON já começa brincando também, ao descrever o cenário e o figurino, para uma possível montagem: “CENÁRIO: Experimental e metafórico de “A GAIVOTA”, de ANTON TCHEKHOV. Aparentemente, um pouco incompleto. FIGURINO: Casual chique. Uma roupa que sugere, por acaso, uma relação com a época onde a peça “A GAIVOTA” acontece”.
            Na verdade, tanto o cenário, de DANIEL DE JESUS, quanto o figurino, de CAROL LOBATO, são muito interessantes. O cenário nada mais comporta, além de um piso, totalmente coberto por sacolas plásticas, pretas, limitado por duas sequências de cortinas para box, transparentes, incolores, uma pequena plataforma, como uma rampa, e uma cadeira torta. O figurino, propositalmente, é meio fora do contexto, para quem está a trabalho, não está nadando em dinheiro, mas procura manter uma aparência oposta. É formado por uma calça comprida, larga, uma blusa e um casaquinho, que devem ter saído do rico acervo da grande figurinista CAROL LOBATO, também mencionada no texto.
            JEFFERSON SCHROEDER é um dos melhores atores de sua geração, mestre em fazer vozes diferentes, e todo o seu talento e versatilidade estão presentes neste espetáculo.
            Nada especial a dizer sobre o trabalho de direção, de JOÃO FONSECA, além daquilo que já virou clichê, que sempre observamos nele: competência e bom gosto.
            Comportada, discreta e precisa é a luz, de ANA LUZIA DE SIMONI (o DNA ajuda, se bem que a "gaivota" dela cresceu e já sabe voar sozinha) e JOÃO GIOIA.   

  

 

 
FICHA TÉCNICA:
 
Texto: Jefferson Schroeder
 
Elenco: Jefferson Schroeder
 
Direção: João Fonseca
Cenário: Daniel de Jesus
Figurino: Carol Lobato
Luz: Ana Luzia de Simoni e João Gioia
Programação Visual: Daniel de Jesus
Produção: Luís Antônio Fortes
Fotos: Thiago De Lucena
 


 

 
SERVIÇO:
 
Temporada: De 20 de maio até 12 de junho.
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto.
Endereço: Rua Humaitá, 163 – Humaitá – Rio de Janeiro (Entrada pela Rua Visconde Silva).
Telefone: 2535-3846.
Duração: 70 minutos.
Dias e Horário: De sábado a 2ª feira, sempre às 19h.
Valor do Ingresso: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia entrada).
Venda de Ingressos na Bilheteria do Teatro: de 4ª feira a domingo, a partir das 17h.
Classificação Etária: 12 anos.
 


 
 
 

“Espero que as pessoas se divirtam, riam, enquanto pensam, naturalmente, sobre a importância, aparentemente subjetiva, da arte, do teatro. Que pensem nos sonhos seguidos e nos deixados para trás, no poder evolutivo do amor infinito pelos filhos, pais, trabalho, e no quanto somos felizes, quando podemos voar nossas gaivotas”, destaca o ator e autor JEFFERSON SCHROEDER.

Tenha a certeza, JEFFERSON, de que a minha "gaivota" e a de todos os que estavam lá, comigo, naquela noite, voaram muito alto, graças ao teu talento. Formamos um bando de "gaivotas", muito felizes, voando, cada uma, de volta, para o seu ninho.



 
 
 
Jefferson Schroeder e João Fonseca.
 



(FOTOS: THIAGO DE LUCENA.)
 
 



 

 

 

 

 



 

 

 

 



 
 

 

segunda-feira, 29 de maio de 2017


"TUDO AO CONTRÁRIO -
A CENA

EM PROL

DA VIDA"

 

(UMA NOITE DE GRANDES E AGRADÁVEIS SURPRESAS.

ou

UM DESFILE DE TALENTO DO ARTISTA BRASILEIRO.)
 


 

 

            A noite do dia 23 próximo passado (maio / 2017) (3ª feira) foi especialíssima, para quem ama o TEATRO MUSICAL BRASILEIRO e respeita todos os tipos de diversidades, além de gostar de colaborar com as causas mais justas.

            Realizou-se, no lindo Teatro Riachuelo, a segunda edição de um evento anual, idealizado por CAIO LOKI e realizado pelo CEFTEM (REINER TENENTE) e JOÃO FONSECA, chamado “TUDO AO CONTRÁRIO – A CENA EM PROL DA VIDA”, com a renda destinada à SOCIEDADE VIVA CAZUZA, que tem à frente uma mulher digna de nosso respeito e homenagem, LUCINHA ARAÚJO.

            Antes de tecer comentários sobre o espetáculo, vou tirar algumas “colas”. Primeiro, do programa da peça:

            “Inspirado pelo evento anual ‘BROADWAY BACKWARDS’ e autorizado pela BROADWAY CARES / EQUITY FIGHTS AIDS, ONG americana, responsável pelo evento beneficente em Nova York, ‘TUDO AO CONTRÁRIO – A CENA EM PROL DA VIDA’ é um ‘show’, com repertório de musicais brasileiros e americanos, que tem, como principal característica, a celebração da diversidade e da vida.

            Assim como no ‘BROADWAY BACKWARDS’, é através da inversão do gênero dos/das personagens, nos números apresentados - atores cantando canções femininas e vice-versa - que encaramos o desafio, cada vez mais necessário, de nos colocarmos no lugar do outro e, através da nossa arte, contribuir para a construção – ou seria desconstrução? – de um mundo mais solidário e empático.

            O principal objetivo deste evento beneficente é angariar fundos para a SOCIEDADE VIVA CAZUZA e lutar, de maneira artística, a favor da vida e do respeito universal.

            Agora uma “cola” do “release”, com adaptações, enviado por ALAN DINIZ (XAVANTE COMUNICAÇÃO):

“Como o próprio nome já diz, é hora de uma inversão geral: a luta de Lúcia e Teresinha, em ‘O meu amor’ (‘A ópera do malandro’) é recriada por homens. Até mesmo célebres princesas, como Cinderella, Bela Adormecida e Branca de Neve surgirão, com uma dose extra de testosterona. Homens interpretam canções femininas e vice-versa, em uma celebração da diversidade, principal objetivo do projeto.

O roteiro inclui trechos de alguns dos mais importantes musicais brasileiros e americanos, como ‘A Ópera Do Malandro’, ‘Cambaio’, ‘Company’, ‘Les Misérables’, ‘Chicago’, ‘Rocky Horror Show’, ‘A Bela e a Fera’, ‘Hair’, ‘Rent’, ‘Nine’ e outros, com direito, até mesmo, a números vindos diretamente do cinema, de filmes, como ‘La La Land’, ‘Moulin Rouge’ e ‘Priscila, a Rainha do Deserto’.
 
 


O elenco reúne muitos dos principais nomes do TEATRO MUSICAL BRASILEIRO, em apresentações solo, duetos ou em grupo. SORAYA RAVENLE, REINER TENENTE, VICTOR MAIA, MARCELO FERRARI, RODRIGO MORURA, MARYA BRAVO, STELLA MARIA RODRIGUES, WLADIMIR PINHEIRO, OSCAR FABIÃO, HUGO KERT, LEO BAHIA, KACAU GOMES, SAULO SEGRETO, NEY LATORRACA, JORGE MAYA, MARCELO NOGUEIRA, PABLO ÁSCOLI, EVELYN CASTRO, THATI LOPES, TIAGO ABRAVANEL, GABRIEL LEONE, ELINE PORTO, ESTRELA BLANCO, LUA BLANCO, MARIAH VIAMONTE, THIAGO MARINHO, VINÍCIUS TEIXEIRA, ANALU PIMENTA, CÁSSIA RAQUEL, CLÁUDIA NETTO, LILIAN VALESKA, JARBAS HOMEM DE MELO, GABRIEL STAUFFER, FABIANA TOLENTINO, CLÁUDIO LINS, ÍCARO SILVA, MARCELO VÁRZEA, GOTTSHA, ANDRÉ DIAS, IZABELA BICALHO, TADEU AGUIAR, WLADIMIR PINHEIRO E TACY DE CAMPOS são alguns dos nomes dos que se apresentarão”.

Agora, voltando ao presente, ao todo, foram quase cem artistas que se apresentaram.

Consagrados nomes do TEATRO MUSICAL BRASILEIRO apresentando-se, misturados a talentosos jovens iniciantes nesse gênero, e com tanta generosidade e troca, é algo comovente e gratificante.

O evento foi, inicialmente, idealizado por CAIO LOKI (LOKI ENTRETENIMENTO). Este ano, contou, ainda, com a parceria cultural da AVENTURA ENTRETENIMENTO e apoio do Teatro Riachuelo.


 



 
FICHA TÉCNICA:

Idealização: Caio Loki
Direção: João Fonseca e Reiner Tenente
Assistente de Direção: Pedro Pedruzzi
Direção Musical: Tony Lucchesi
Orquestração: Alexandre Queiroz
Coreografias: Victor Maia
Coreógrafos Convidados: Alex Neoral (Assistentes: Clarice Silva e Carol Pires) e Clara da Costa (Assistente: Bella Mac)
Iluminação: Luiz Paulo Nenen e Dani Sanchez
Canhão: Alexandre Farias e Vanessa Alves
Cenografia: Nello Marrese
Sound Designer: Haikai Áudio
Operação de Som: Talita Kuroda e Tiago Chaves
Microfonistas: Adriana Lima, Camille Lago, Luiza Ventura e Marcus Frech
Direção de Produção: Gabriel Querino, Joana Mendes e Reiner Tenente
Assistente de Produção: Gabriela Tavares
Voluntários: Fernando Leão, Gabriela Levaskevicius, João Miranda, Jordan Cardoso, Marianna Alexandre, Milene Cauzin, Rhuan Santos, Tucá Muniz e Wilson Granja
Vídeo e Edição: Leonardo Rocha
Fotógrafos: Clarissa Ribeiro e Gabi Castro
Programação Visual: Caio Loki
Assessoria de Imprensa: Xavante Comunicação   
Realização: CEFTEM
 


 


            Todos os números foram acompanhados por uma excelente banda, formada pelos seguintes músicos: TONY LUCCHESI (piano e regência); ALEXANDRE QUEIROZ (teclado); LEO BANDEIRA (bateria e percussão); PEDRO AUNE (baixo); LUIZ FELIPE FERREIRA (violino); THAIS FERREIRA (violoncelo) e VÍTOR DE MEDEIROS (sax alto, sax barítono, flauta e clarinete).

Segue o roteiro do “show”, acompanhado de alguns comentários:

1) “DOCE TRAVESTI” (“THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW”), com Gottsha. Coro: Diana Cataldo, Gabi Porto e Maíra Garrido. Versão: Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: Foi muito bem escolhido o número de abertura do “show”. Gottsha, que fez parte do elenco do musical, recentemente apresentado em São Paulo - ao qual assisti duas vezes - e, ainda, aguardado pelos cariocas, já deu o tom do que seria aquela noite. O sucesso do evento já estava garantido, pois Gottsha conseguiu mexer com os mil espectadores, que lotaram o Teatro Riachuelo, com seu carisma e talento.
 
 
 
 
 
 

2) “NOT GETTING MARRIED TODAY” (“COMPANY”), com Reiner Tenente, João Fonseca e Tony Lucchesi. Versão: Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: É sempre bom ver o João Fonseca ator, o que, faz tempo, passou a ser uma raridade, desde que resolveu se dedicar à direção, por sinal, de alguns dos melhores espetáculos já encenados nos últimos tempos. Foi uma “participação afetiva”, ao lado do amigo e parceiro de tantos trabalhos, Reiner Tenente, que divertiu muito a plateia.
 
 
 
 
 
 
 
 

3) “ON MY OWN” (LES MISÉRABLES), com Jarbas Homem de Mello. Versão: Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: Este foi um dos momentos de maior emoção da noite, quando Jarbas, ao cantar, magnificamente, prestou uma linda e comovente homenagem a seu grande amigo e um dos maiores nomes do TEATRO MUSICAL BRASILEIRO, falecido há poucos dias, Marcos Tumura. Jarbas cantou com a garganta e o coração, deixou a alma voar, levando às lágrimas muitos espectadores, dentre os quais me alinho. Quero registrar que, além de grande bailarino e ator, Jarbas vem demonstrando, nos seus últimos trabalhos, um amadurecimento impressionante no cantar. Foi, sem dúvida, um dos grandes destaques da noite.

 




4) “A VOLTA DO MALANDRO” (“ÓPERA DO MALANDRO”), com Izabela Bicalho e Tacy de Campos.

COMENTÁRIO: Izabela e Tacy se comportaram muito bem em cena, aliando, às suas ótimas vozes, toda uma postura exigida pelo personagem, um malandro carioca, ou, pelo menos, aquilo que se convencionou ser o protótipo do personagem. Duas vozes contrastantes, que combinaram muito bem.
 





5) “TODA NOITE” (“O BEIJO NO ASFALTO”), com Claudio Lins.

COMENTÁRIO: Outro grande destaque da noite. A canção, também da autoria de Claudio, é uma das mais belas do espetáculo e ganhava um brilho todo especial, no contexto da cena, interpretada por uma das maiores cantrizes do nosso TEATRO MUSICAL, Laila Garin, que fez falta naquela noite. Cláudio deixou extravasar seu talento e emoção e cantou com a alma feminina, arrancando muitos aplausos do público; meus, especialmente.
 
 


6) “CELL BLOCK TANGO” (“CHICAGO”), Gabriel Querino, Gustavo Klein, Marcelo Ferrari, Márcio Jahú, Rodrigo Morura e Victor Maia. Versão: Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: Número bastante divertido, que deu oportunidade aos atores de mostrar uma grande versatilidade em cena.
 
 




7) “EU PRECISO DIZER QUE TE AMO” (“CAZUZA, PRO DIA NASCER FELIZ – O MUSICAL”), com Marya Bravo e Stella “Maria Rodrigues.

COMENTÁRIO: Duas grandes cantrizes se reuniram para interpretar uma canção de letra tão simples e singela, conseguindo valorizá-la, com suas belas vozes e interpretações. O toque de “ingenuidade” e pureza na noite.


 

8) “AND I AM TELLING YOU” (“DREAMGIRLS”), com Wladimir Pinheiro.

COMENTÁRIO: Neste número solo, Wladimir nos mostrou, mais uma vez, o seu potencial vocal e como deve se portar, em cena, um cantor de musicais. Foi ovacionado pelo público.


 

9) “É UMA PARTIDA DE FUTEBOL (“SAMBA FUTEBOL CLUBE”), com Bel Lima, Claire Nativel, Diana Cataldo, Gabi Porto, Joana Mendes, Júlia Morganti, Lyv Ziese, Maíra Garrido, Marina Motta, Tecca Ferreira e Thainá Gallo.

COMENTÁRIO: Completamente à vontade, em cena, o grupo de atrizes reviveu uma cena de um dos musicais que mais sucesso fizeram, nos últimos anos, genuinamente brasileiro, com direito a um grito de empoderamento, ao final do número, quando todas, levantando as camisas de clubes de futebol, que usavam, deixaram, por dois ou três segundos, os seios à mostra, num “desafio” aos moralistas e puritanos, com direito a um grito de guerra: “RESPEITA AS MINA!”. Algo, certamente, inesperado, mas muito bem aceito pelo público presente.
 
 
 
 

10) “WHITE BOYS / BLACK BOYS” (“HAIR”), com Ícaro Silva, André Sigom, Nando Brandão (White Boys), Renan Mattos, André Vieri e Oscar Fabião (Black Boys). Versão: Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: Canção das mais conhecidas do musical “Hair”, de cuja primeira montagem, no Brasil, fiz parte do elenco (1970/71), a cena, que, no original, é feita por mulheres, aqui, além de ser defendida por homens, três brancos e três negros, as raças também foram trocadas. Exemplo maior de diversidade e respeito às diferenças não poderia haver, sem falar na excelente interpretação dos seis ótimos atores.

 

 

11) “CAMBAIO” (“CAMBAIO”), com Soraya Ravenle.

COMENTÁRIO: Extraído de outro grande musical genuinamente brasileiro, este número também chamou a atenção da plateia, não só pela sua força, em si, graças à letra e à melodia, mas também pela inesquecível interpretação de Soraya, que dominou, literalmente, todo o imenso palco do Teatro Riachuelo. Não sei se houve marcações, por parte da direção, ou se a atriz comandou, independentemente, seus passos pelo palco, mas o fato é que uma única atriz, de baixa estatura e de modesta compleição física, preencheu todo o espaço cênico, com deslocamentos arrebatadores, seguindo a letra da canção. Uma obra-prima a apresentação de Soraya!




 

12) “MY MAN” (“FUNNY GIRL”), com André Dias.

COMENTÁRIO: É impossível negar elogios à interpretação desta canção, da maneira como André a levou para o palco, explorando os agudos que ela exige e fazendo uma leitura que jamais eu poderia imaginar na voz de um homem.


 

13) “O MEU AMOR! (“ÓPERA DO MALANDRO”), com Gabriel Stauffer, Hugo Kert, Leo Bahia e Marcelo Várzea. Participação especial: Pedro Pedruzzi.
 
COMENTÁRIO: O duelo entre duas mulheres, Lúcia e Terezinha, por um mesmo macho, o cafajeste Max Overseas, cantando uma canção de letra picante e erótica, caiu muito bem no colo de quatro atores, excelentes, por sinal, que representaram as duas apaixonadas, em dose dupla. Cada um dos quatro parecia “duelar” mesmo por ser o melhor em cena. O resultado dessa “contenda” foi um dos melhores números do espetáculo.
 
 


14) “I’LL COVER YOU” (“RENT”), Kacau Gomes e Lílian Valeska. Versão: André Dias e Maurício Xavier.

COMENTÁRIO: Uma das minhas canções preferidas deste musical, também um dos que ocupam a minha preferência, foi brilhantemente interpretada por duas divas dos musicais. Kacau e Lílian deram um “show” de interpretação.
 
 
 
 
 
 


15) “SOU GAY E TUDO BEM” (“ANOTHER DAY OF SUN”) (“LA LA LAND”), com Bel Lima, Bruno Rasa, Carol Botelho, Fabiana Tolentino, Fernanda Gabriela, Gabi Porto, Leonam Moares, Philipe Carneiro, Saulo Segreto e o Ballet Focus Cia. de Dança (Carol Pires, Clarice Silva, Cosme Gregory, Eléonore Guisnet, Gabriela Leite, José Villaça, Lucas Nunes, Márcio Jahú e Mônica Burity). Versão: Bruno Camurati.

COMENTÁRIO: Excelente cena, contando com a luxuosa participação de uma companhia de balé, grande detalhe que enriqueceu a apresentação.
 
 


16) “TEREZINHA” (“ÓPERA DO MALANDRO”), com Ney Latorraca.

COMENTÁRIO: Com sua irreverência e humor cáustico, Ney, “subvertendo” a organização da festa, saiu da plateia, para apresentar seu número, fazendo, como já o faz no musical “Vamp”, em final de temporada no mesmo Teatro Riachuelo, piadas e improvisações com a plateia, abusando de “cacos”, uma de suas marcas principais. Só que tudo funciona bem e o público vai à loucura. Cônscio de que não é um cantor, confessou-o, em público, sentou-se na escada, que dá acesso ao palco, retirou, do bolso, a letra da canção que deveria cantar e, praticamente, a declamou, tendo sido efusivamente aplaudido, mais por seu carisma e respeito aos seus 75 anos de idade, a maior parte deles a serviço do TEATRO.





 
17) “MEDLEY PRINCESAS DA DISNEY”, com Caio Loki, Jorge Maya, Marcelo Nogueira, Mau Alves e Pablo Áscoli.

COMENTÁRIO: Definitivamente, o número mais leve e engraçado de todo o “show”. Um ótimo texto, de humor refinado e, às vezes, escrachado, dito por cinco grandes atores, na pele das inocentes e cândidas princesas dos desenhos animados. Cada um, à sua maneira, soube tirar partido da sua “mocinha” e a plateia vibrou com o número. Afinal, não é todo dia, por exemplo, que se vê um Jorge Maya, por exemplo, vestido, estilizadamente, de Branca de Neve.






 

18) “MEDLEY A BELA E A FERA” (“A BELA E A FERA”), com Evelyn Castro e Thati Lopes (Participação especial de João Fonseca e Pedro Pedruzzi).

COMENTÁRIO: Se outro número competiu, em humor, com o anterior, este foi o de Evelyn e Thati. Nem mesmo as duas excelentes atrizes conseguiam conter o riso em cena, de tão bem escrito que era. Uma “química”, daquelas que raramente acontecem em cena, existiu entre as duas atrizes, que fizeram o público dar boas gargalhadas.

 

19) “AS IF WE NEVER SAID GOODBYE” (“SUNSET BOULEVARD”), com Tadeu Aguiar.

COMENTÁRIO: Sem muitos comentários. Acho que nunca vi Tadeu cantar tão bem, e, ainda por cima, uma canção belíssima, que exige muito de quem a interpreta. Foi uma das mais belas imagens registradas no palco, vê-lo impecavelmente vestido e emoldurado por uma luz fascinante, sobre a qual falarei adiante.
 
 
 
 
 

20) “LOUD (MATILDA - O MUSICAL”), com Victor Maia, André Guedes, Gabriel Querino. Coro: Anderson Rosa, Andressa Tristão, Anna Júlia Dias, Bel Lima, Camila Matoso, Clara da Costa, Daniel Haidar, Gabriela Tavares, Kaique Lopes, Marina Mota, Wesley Carneiro e Yuri Izar. Pit Singer: Diana Cataldo, Gabi Porto e Maíra Garrido. Versão: Bruno Camurati.

COMENTÁRIO: Um número que chamou mais a atenção pela movimentação dos atores em cena, muito bem ensaiado e executado.
 
 


21) “MARIA” (WEST SIDE STORY), com Claudia Netto.

COMENTÁRIO: Nunca poderia acreditar que, um dia, veria essa belíssima canção, uma verdadeira declaração de amor do personagem Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos, chamados de Jets, apaixonado por Maria, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos, cantada por uma mulher. Eu só não tinha me lembrado de que, no palco, estava Claudia Netto, uma das mais representativas atrizes de musicais, com uma bagagem invejável, em seu currículo. Claudia emocionou o público de tal forma, que foi uma das atrações mais aplaudidas da noite. Interpretação inesquecível!
 
 


22) “ELEPHANT LOVE MEDLEY” (“MOULIN ROUGE”), Gabriel Leone e Raphael Rossato.

COMENTÁRIO: Lindo número, os dois atores esbanjando sensualidade em cena e cantando lindamente. Foi, para mim, uma as mais agradáveis surpresas da noite.
 
 
 
 
 
 
 


23) “BE ITALIAN” (“NINE”), com Tiago Abravanel. Coro: André Vieri, Bruno Rasa, Gabriel Querino, Leonam Moraes, Mau Alves, Oscar Fabião, Pedro Pedruzzi, Saulo Segreto e Vinícius Teixeira. Versão Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: Confesso que, ao ver, antes do início do espetáculo, o programa do “show”, foi um dos números pelos quais eu mais aguardava. Ver Tiago Abravanel, a despeito de seu imenso talento, fazendo o que Myra Ruiz fez na montagem original, como Sarraghina, parecia-me um dos maiores desafios da noite. E não é que ele nos surpreendeu, a todos, com uma brilhante interpretação, muito bem coadjuvado pelos demais atores!!! Além de tudo, ainda havia a famosa coreografia, com pandeiros, de difícil execução, que todos, da forma mais correta possível, executaram. Um dos pontos altos da noite!!!








 
24) “MEDLEY O DESPERTAR DA PRIMAVERA” (“O DESPERTAR DA PRIMAVERA”), com Claire Nativel, Eline Porto, Estrela Blanco, Gabriel Peregrino, Gabriel Stauffer, Hugo Kert, Ingrid Manzini, Leo Bahia, Lyv Ziese, Lua Blanco, Mariah Viamonte. Philipe Carneiro, Thiago Marinho e Vinícius Teixeira. Versão: Claudio Botelho.

COMENTÁRIO: Eu sabia que, nessa hora, meu coração bateria mais acelerado, por vários motivos: porque é um dos meus musicais favoritos (assisti a ele 23 vezes), porque, por causa dele, fiz grandes amigos e porque me traria muitas e deliciosas lembranças de um passado recente. E foi o que aconteceu, de verdade, provocando-me muitas lágrimas. Foi impecável a versão apresentada, no palco do Teatro Riachuelo, inclusive com a participação de alguns integrantes da versão original. Foi muito lindo!!!




 

25) “I WILL SURVIVE” (“PRISCILLA, A RAINHA DO DESERTO”), com Analu Pimenta, Cássia Raquel e Letícia Pedroza.

COMENTÁRIO: Os roteiristas do “show” escolheram muito bem a canção de encerramento da festa, cuja letra é muito significativa: apesar de tudo e de todos, EU SOBREVIVEREI. O trio de cantoras não economizou a voz, para interpretar um clássico dos musicais, que virou um hino de resistência e que também serve para encerrar as festas de casamento, por exemplo (momento descontração).
 
 


Tudo funcionou a contento, na festa, e eu quero registrar quatro detalhes técnico-artísticos importantíssimos: a brilhante direção, de JOÃO FONSECA e REINER TENENTE; o cenário, simples e muito significativo, de NELLO MARRESE; a belíssima luz, de LUIZ PAULO NENEN e DANI SANCHEZ, e o desenho de som, de HAIKAI ÁUDIO, que só falhou, ligeiramente, duas vezes, porém não prejudicando o todo.

Apesar de tudo e de todos, inclusive do não pagamento do fomento, por parte de um “(im)prefeito fantasma” o TEATRO SOBREVIVERÁ, enquanto houver gente que dá o sangue e o suor por ele, como aquelas quase 150 pessoas, no total , que se reuniram para nos proporcionar uma noite inesquecível de arte e solidariedade.

E VIVA O TEATRO MUSICAL BRASILEIRO!!!

E VIVA A SOCIEDADE VIVA CAZUZA!

E VIVA O ARTISTA BRASILEIRO!

EVOÉ!!!


 
 
 



 

(FOTOS: CLARISSA RIBEIRO,
GABI CASTRO,
REGINA CAVALCANTI,
LIS MAIA
e OUTRAS FONTES.)